Reciclar… Água?

Janaina Barbedo


Profissionais da área ambiental montam projetos e dão dicas de como preservar esse recurso natural cada vez mais escasso

Conforme consta no site da Sabesp, o Planeta Terra é formado por 75% de água e por 25% de terra, tendo essa informação como base parece irrelevante pensar em reaproveitamento de água. Mas, é importante ressaltar que a água doce é a apropriada para o consumo humano e isso representa apenas 2,5% do total de água disponível, já que os outros 97,5% estão nos mares e oceanos, condição em que a água é considerada salgada.

Ainda de acordo com a Sabesp, a água doce está cada vez mais escassa e insuficiente para suprir a necessidade da população. O Brasil, responsável por 13,7% da água doce do mundo, tem grande privilégio, porém, não valoriza esse recurso natural, conforme explica o técnico agrícola Edison Urbano, “Enquanto puderem pagar e transmitir a responsabilidade para outros (empresas, ongs e principalmente os governos), as pessoas não vão achar que devem se responsabilizar por tudo que fazem no (contra o) meio ambiente”.

Segundo o Instituto Socioambiental, a água limpa está cada vez mais rara e a água potável, cada vez mais cara, em função do desperdício, que varia de 50% a 70% nas cidades, e da urbanização acelerada, que pode ser representada desde a exploração irregular de recursos hídricos em mananciais, que prejudicam inclusive a vegetação, até o uso de agrotóxicos. Prova de que os brasileiros não tem o devido cuidado com o meio ambiente é que 90% dos esgotos domésticos e 70% dos afluentes industriais são jogados sem tratamento nos rios.

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Reutilizar a água do banho faz diferença para o meio ambiente e para o bolso

Na tentativa de conscientizar a população e reaproveitar a água, Edison desenvolveu o Projeto Experimental do Reúso de água do banho familiar para as descargas no vaso sanitário, em 2004, com duas alternativas: eliminar todo o consumo de água potável com as descargas, reestruturando toda a parte hidráulica do banheiro para captar a água do banho, com o auxílio de inovações tecnológicas como a utilização de caixa sinfonada, que será a substituição do ralo do box, e de pastilhas de cloro de origem orgânica, que eliminarão microorganismos causadores de doenças; ou reduzir o uso de água potável para esse fim, aproveitando de mais uma inovação tecnológica voltada para o meio ambiente, os vasos sanitários econômicos, também conhecidos como bacias ecológicas, que possuem a caixa acoplada com volume reduzido, cerca de seis litros de água, redução relevante em comparação com modelos antigos que utilizam entre nove e dez litros e com modelos que possuem válvula de descarga na parede, que podem chegar a utilização de vinte litros.

 

Mais conscientização, menos impacto

A bióloga Bartyra dos Santos explica que esse tipo de projeto é muito importante e que realmente auxilia na conscientização das pessoas, “A conscientização é um grande aliado nas mudanças de hábitos, pois, implica em o indivíduo entender sua importância no meio em que vive e que deixará para as futuras gerações”, afirma a bióloga.

O técnico agrícola explicou que a idéia de montar o projeto surgiu após realizar um estudo sobre como usar a água da chuva para dar descarga nos vasos sanitários e perceber que a proposta era boa, mas não era simples. “Vi que isso não seria muito viável para uma residência urbana simples. Primeiro porque não temos espaço para construir uma grande cisterna para ter os 6000 litros disponíveis todos os meses, e segundo porque uma cisterna é muito caro, não valendo o investimento. Então depois do estudo sobre os vários consumos de água na casa, encontrei essa equivalência. Foi aí que resolvi usar a água do banho para as descargas”, contou Edison.

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A bióloga Bartyra dos Santos acredita na importância dos projetos ambientais

“Se uma medida que aparentemente pode ser pequena for feita por um grande numero de pessoas, se tornará uma grande ação em prol da preservação do meio ambiente. Medidas como essas auxiliam no despertar da conscientização e de outras formas de preservação que a longo prazo e que podem ser economicamente interessante. Já para o meio ambiente resulta em economia da água em si, poupa energia, para sua obtenção e tratamento, ou seja, é bom para nós e para a natureza”,  ressalta Bartyra.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, como está no site Sabesp, cada pessoa necessita de 3,3 m³/pessoa/mês o que representa cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e de higiene. E no Brasil, esse consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia. Por isso a Analista Ambiental Camila da silva enfatiza: “O objetivo do projeto é a economia da água utilizada, as pequenas atitudes fazem grandes diferenças. Com este projeto, estamos contribuindo com a preservação dos nossos recursos naturais. Com a implantação deste projeto a conscientização também poderia ser trabalhada e assim ter uma maior participação da sociedade em temas relacionados ao meio ambiente”.

É importante ressalvar que o projeto prevê economia tanto para o meio ambiente quanto para o usuário. Para uma família composta por quatro pessoas, a economia é de 6000 litros de água potável por mês (30%), isso em valores financeiros, chega a uma redução de R$30 reais do orçamento doméstico mensal. “O que fizemos desde o início do projeto foi provocar e despertar as pessoas para esse tipo de reúso; sabemos que a tecnologia tem que ser melhorada, mantendo o baixo custo, e acreditamos que isso vai acontecer porque 30% de economia de água potável é muito e merece toda nossa atenção”, ressalta Edison.

Segundo o Instituto Socioambiental, no Brasil, há diversos pontos em que a água é permanente, indicando que existem opções para resolver as demandas socioambientais associadas à seca. Por isso vale destacar que existem soluções para os problemas ambientais, que cada um pode fazer a sua parte e como enfatiza a analista ambiental: “Evitar o desperdício e praticar o consumo consciente”.

 

Consciência + atitude = diferença

A bióloga Bartyra afirma que a conscientização da população é fundamental para a preservação, mas que esta tem acontecido de forma lenta, “A conscientização brasileira sobre a importância da preservação e reutilização de recursos naturais caminham a passos lentos, no entanto vem crescendo ao longo do tempo. Acredito que iniciativas aliadas à educação ambiental têm grande potencial de expansão no país”, alerta Bartyra.

“Pequenas atitudes ajudam, mas ajudam mais ainda se todos fizerem da mesma forma, aumentando o potencial. Pequenas ações geram grandes feitos. Se cada um fizesse o reuso da água do banho, da chuva, da lavagem de roupa ao invés da água “limpa ” diminuiria o impacto sobre lençóis freáticos, usinas e hidrelétricas, o custo da água, e consequentemente nos ecossistemas, fauna e flora”, constata a bióloga Bárbara Manuela.

Edison explica a relação de consumo e conscientização, “O consumo de tudo deve ser bem racional, sempre tendo a consciência que o produto que você estará consumindo foi retirado da natureza, e que você só vai poder tornar a consumir desse produto depois que a natureza conseguir se recompor e ter o produto disponível novamente, caso contrário não consumirá”, explica o técnico agrícola.

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A bióloga Bárbara Manuela sugere algumas atitudes simples que fazem diferença

Há diversas formas de ampliar o conhecimento das pessoas, conforme afirma a bióloga Bárbara, “É necessário conscientização da população, ajuda do governo e empresas parceiras. Se for bem direcionado e com a população colocando a mão na massa, literalmente, pode auxiliar na conscientização, pois só com os próprios esforços geram pensamentos e atitudes notáveis e aplicáveis, alem de mudança de idéias”.

Na tentativa de conscientizar a população, Bartyra sugeriu algumas atitudes que são pequenas, mas que fazem diferença, como economizar energia, adquirir mercadorias que têm respeito à natureza, reutilizar roupas que já foram usadas, como roupas de brechó, entre outras. “Existem muitas formas de preservar o meio ambiente através de pequenas ações, mas que feitas por muitas se tornam grandes, como a separação de material reciclável como plástico e papel,  separação de matéria orgânica como cascas de frutas e legumes, transformando em adubo para sua terra mesmo que seja pouca onde você poderá desenvolver uma horta, eliminando e não incentivando produtos com agrotóxicos que prejudicam a nossa saúde e do meio ambiente”, esclarece a bióloga.

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